BNDES: Assembleia massiva aprova acordo e encerra campanha salarial

Numa assembleia com 2.206 presentes, os funcionários do BNDES decidiram aprovar a proposta apresentada pelo banco e encerrar um processo negocial que já durava cerca de sete meses. A plenária, realizada no último dia 23, apreciou a oferta do banco para cláusulas salariais e para o GEP Carreira, o plano de cargos e salários dos empregados. Foram mais de três horas e meia de assembleia, marcada por muitas controvérsias entre alguns membros da Associação dos Funcionários do BNDES, a Comissão de Negociação dos Empregados – que inclui representantes de empregados de outras empresas do sistema BNDES – e o movimento sindical.


 


A proposta da direção do BNDES não era vantajosa, trazendo índices menores que os acordados com a Fenaban. “A CCT nacional dos bancários garantiu um reajuste de 9 % para o piso salarial e de 12,2 % para o tíquete-refeição. No BNDES o mesmo índice, de 8,5 % , valeu para os três itens”, informa Luiz Ricardo Maggi, diretor de Bancos Federais da Fetraf-RJ/ES. Por este motivo, os representantes do movimento sindical não orientaram nem rejeição, nem aprovação. As posições favorável e contrária foram defendidas por membros do corpo funcional, com duas falas para cada. A votação foi feita em cédula.


 



Houve controvérsia quanto à participação dos aposentados na assembleia. Logo no início um abaixo-assinado com 60 nomes chegou à mesa, reivindicando que os inativos fossem


 


impedidos de votar. Mas, além do pequeno número de assinaturas, a reivindicação não pôde ser atendida por colocar em risco todo o processo decisório dos empregados. “O edital de convocação da assembleia incluía os aposentados, em obediência ao estatuto do Sindicato dos Bancários, e este impedimento poderia tornar a assembleia ilegal e, portanto, invalidar as decisões tomadas pelo plenário”, informa Maggi. Mesmo que os trabalhadores aposentados fossem excluídos da assembleia, o resultado teria sido o mesmo, já que o número deles – cerca de 300 – era bem menor que a diferença de votos (veja os números da assembleia no quadro ao lado).


 


Novela


 


As negociações para o Acordo Coletivo de Trabalho e o novo GEP Carreira dos funcionários do BNDES vinham se arrastando há vários meses. As indefinições do ano eleitoral dificultaram e, mesmo após as eleições, já sob a pressão da possível mudança de direção da casa, as negociações empacaram. Em dezembro o banco apresentou uma proposta insatisfatória e, em alguns itens, até prejudicial a alguns segmentos do funcionalismo. O funcionalismo rejeitou o oferecido pelo banco e decidiu por uma greve de 48 horas. Porem, dias depois, a proposta de greve foi rejeitada, mesmo não tendo havido nenhuma nova oferta do banco.


 


Sem pressão do corpo funcional, o processo negocial ficou parado por várias semanas. Em reunião no último dia 17, a redação de alguns itens relativos ao GEP foi motivo de controvérsia e a negociação se estendeu por mais de quatro horas, em idas e vindas do texto final. “Empenhamos todos os esforços na negociação deste acordo coletivo. Foram sete meses trabalhando e buscando a interlocução inclusive com outros atores para poder chegar a ele. Fomos ao DEST, buscamos o presidente do banco, tentamos ao máximo conquistar avanços, apesar do cenário adverso colocado à nossa frente”, recapitula Luciana Vieira, diretora de Bancos Federais do Seeb-Rio.

Fonte: Da Redação – Fetraf-RJ/ES