Audiência pública defende reforçar quadro de funcionários por uma CEF mais forte

O Brasil precisa de uma Caixa Econômica Federal forte, e isso só é possível com a contratação de mais empregados. Esse foi o principal recado da audiência pública realizada nesta terça-feira (29) na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados. A reunião, solicitada por Erika Kokay (PT-DF) e Daniel Almeida (PCdoB-BA), contou com representantes dos trabalhadores, dos aprovados no concurso público realizado no ano passado, do banco e do Ministério do Planejamento.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, destacou, entre vários dados, que o número de empregados cresceu nos últimos anos, mas sem acompanhar o ritmo de abertura de agências e o avanço de clientes e de operações. “De 2003 a julho de 2015, o quadro de trabalhadores foi reforçado em 70%. Já o total de agências dobrou e a base de clientes aumentou em quase 300%. Isso sem contar o pagamento de benefícios sociais, trabalhistas e previdenciários. A realidade hoje nas unidades é de sobrecarga e adoecimento”, disse.

O crescimento do banco, não só nas operações normais, mas nos pagamentos de benefícios sociais, deveria justificar o aumento do quadro de funcionários, mas a Caixa, além de não contratar, ainda reduziu o efetivo. “Com o PAA deste ano a Caixa atingiu o menor número de funcionários desde 2003, embora tenha dobrado o número de agências em quase 100% e triplicado do número de clientes. Estes números foram tirados dos próprios demonstrativos da Caixa, não são ficção”, esclarece Ricardo Maggi, representante da Fetraf-RJ/ES na CEE/Caixa.

Fabiana Matheus, coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), que assessora a Contraf-CUT e o Comando Nacional dos Bancários, observou que a Caixa tem hoje o mesmo quantitativo de trabalhadores que em 2003. “Há 12 anos, eram 56 mil empregados e quase 51 mil terceirizados. Após Termos de Ajustamento de Conduta assinados em 2004 e 2008 com o Ministério Público, o banco reduziu essas contratações fraudulentas, mas não admitiu concursados na mesma proporção. No entanto, se tornou o terceiro maior banco do Brasil e o maior agente de políticas públicas, o que aumentou a demanda nas unidades”, afirmou. “Com a recusa em contratar novos empregados, a Caixa não só descumpriu o Acordo Aditivo assinado com a representação dos funcionários em 2014, como lesou os concursados, que investiram tempo e dinheiro e até deixaram seus empregos na expectativa da contratação”, critica Maggi.

André Martins Silva, que preside a comissão dos aprovados no concurso público de 2014, lembrou que este foi o maior certame já realizado no país, com mais de 1,1 milhão de inscritos. “Desse total, apenas 33 mil foram aprovados, dos quais somente 9,6% foram convocados e 7,54% foram efetivamente contratados. A Caixa alega que é difícil contratar por conta do momento econômico. Ela que nos desculpe, mas a parte mais difícil ficou mesmo com quem se dedicou, estudou e está frustrado. Queremos que não haja um novo concurso até que esses aprovados sejam admitidos numa quantidade razoável”, frisou.

Almir Márcio Gabriel, gerente nacional de Informações Corporativas da Caixa Econômica Federal, e Noel Dorival Giacomitti, diretor substituto do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Dest), se limitaram a enaltecer que o crescimento do quadro funcional foi melhor que de outras instituições.

Wandeir Severo, diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, cobrou o cumprimento do ACT 2014/2015 pelo banco. “Quando o acordo foi assinado e a empresa se comprometeu a contratar 2 mil novos empregados, tínhamos 101 mil trabalhadores. Entendemos, portanto, que ela tem até dezembro para chegar aos 103 mil, ou seja, faltam pelo menos 5 mil”, explicou. Ele acrescentou: “também é inadmissível que a Caixa, que deveria ser exemplo, descumpra a legislação que exige o mínimo de 5% de empregados portadores de deficiência. Hoje, esse índice é de 1,29%”.

Já a deputada Erika Kokay fez questão de ressaltar o lucro da Caixa no primeiro semestre de 2015: R$ 3,5 bilhões. “Não podemos admitir que uma empresa que lucra desta forma, que se orgulha de ser o terceiro maior banco do país, abra agências com quatro, cinco empregados, e tenha trabalhadores que não sabem a hora que vão terminar o trabalho e ir para casa. A categoria e os milhares de concursados que foram aprovados merecem respeito. Sugiro que a Comissão de Trabalho realize audiência com a presidente da Caixa”, disse.

O deputado Daniel Almeida se comprometeu a agendar a reunião com Miriam Belchior. “Diante da importância do tema, será muito importante ouvi-la, bem como o ministro do Planejamento, que também será convidado. A Comissão de Trabalho e a Frente Parlamentar em Defesa da Caixa têm bastante interesse nesse debate, que é de interesse de todos os brasileiros. Os empregados, os sindicatos, a Fenae e os concursados podem contar com os parlamentares nessa luta por mais contratações”, garantiu.

 

 

Fonte: Fetraf-RJ/ES, com Fenae