Trabalhadores pressionam contra a reforma da previdência

Mais de cem mil pessoas participaram da manifestação contra a reforma da previdência proposta pelo governo federal que foi realizada no Rio de Janeiro no último dia 15. Diversas categorias fizeram paralisações e atos públicos nos locais de trabalho e se uniram em uma grande passeata que percorreu a Avenida Presidente Vargas, da Candelária à Central do Brasil.

Na capital os bancários paralisaram durante todo o dia as agências bancárias do eixo financeiro da Avenida Rio Branco. Ao meio-dia foi realizado um ato no Largo da Carioca, local de grande movimento e circulação de pessoas no centro da cidade. Além do sindicato local, também participaram da paralisação dirigentes dos sindicatos de Angra dos Reis, Baixada Fluminense, Itaperuna, Macaé, Nova Friburgo, Niterói, Teresópolis e Três Rios.

Alguns dos sindicatos do interior do estado optaram por fazer manifestações em suas bases. Em Campos, os bancários se uniram a várias entidades sindicais e dos movimentos sociais da região em atividades que começaram cedo. Trabalhadores e representantes do movimento estudantil fecharam a BR-101 em frente ao aeroporto e a BR-356 no acesso ao Porto do Açu logo ao amanhecer. Em seguida, houve manifestação no centro da cidade, com abraço ao edifício-sede da Previdência Social no município. Em seguida, houve caminhada em outro trecho da BR-101, com ato em frente à sede da emissora afiliada da TV Globo, e ato no trevo da entrada da cidade.

Na base do Sindicato do Sul Fluminense os dirigentes se uniram a representantes de outras entidades sindicais e movimentos populares da região numa grande passeata em Volta Redonda. A manifestação tomou a Avenida Amaral Peixoto, com concentração e falas dos participantes na Praça Juarez Antunes, na Vila Santa Cecília. Os sindicalistas bancários também fizeram paralisação parcial do funcionamento de agências bancárias dos municípios de Porto Real e Volta Redonda.

Já o sindicato de Teresópolis atuou em duas frentes. Pela manhã, paralisou as atividades das dez agências bancárias do município até o meio-dia, com apoio de militantes da UET – União dos Estudantes de Teresópolis. Houve distribuição de panfletos aos clientes e usuários de bancos e os dirigentes discursaram, explicando à população os prejuízos que virão se a reforma da previdência for aprovada. Em seguida, a diretoria da entidade lotou um ônibus e desceu para a capital, para participar da grande passeata, no fim da tarde.

Razões para protestar

O presidente da Fetraf-RJ/ES, Nilton Damião Esperança, destaca que os motivos que levaram milhares de brasileiros às ruas contra a reforma da previdência estão muito claros. Para o dirigente, o governo justifica as mudanças com um suposto desequilíbrio nas contas que não foi comprovado, ao invés de buscar resolver o problema real. “Não somos contrários à reforma somente por sermos oposição ao governo golpista. Sabemos que não existe déficit na previdência, já que só os cem maiores devedores deixaram de pagar mais de 400 bilhões em contribuições ao INSS”, pondera o sindicalista.

A real intenção do governo federal – agradar à elite empresarial, que financiou o golpe – aparece sem disfarces. “Esta reforma só interessa às grandes empresas e aos empresários, que querem empurrar os trabalhadores para previdência privada operada pelos bancos”, aponta Nilton Esperança. Mas é preciso olhar com desconfiança para esta solução que está sendo apresentada. Todos nós sabemos que esta opção não corresponde às expectativas da classe trabalhadora”, alerta o presidente da Fetraf-RJ/ES.

Além da retirada da proposta de reforma da previdência da pauta do Congresso, as centrais sindicais e os movimentos sociais também têm outras reivindicações relativas à seguridade social. “Queremos a CPI da Previdência e o pagamento das dívidas das empresas com o INSS. Aceitamos discutir mudanças caso o governo apresente uma proposta séria, e não esta, que não é reforma, mas, sim, retirada dos direitos dos trabalhadores”, demanda Nilton Esperança.

 

Fonte: Fetraf-RJ/ES