Reconhecer conquistas, preservar direitos

Por Adriana Nalesso*

 

Na atual conjuntura política e econômica que estamos vivendo muitas vezes fica difícil saber o que esperar deste governo que atenta a todo o tempo contra os direitos dos trabalhadores. Direitos estes que foram duramente conquistados em mais de uma década de muita luta das diversas categorias.

O desmonte dos bancos públicos e as constantes ameaças de privatização, sem levar em conta o papel social desenvolvido principalmente pela Caixa e de fomento à economia do país, destacando o BNDES e a atuação do Banco do Brasil na área rural, deixam claro que os planos do governo Temer não incluem os trabalhadores e muito menos a população mais pobre. Os empresários, banqueiros, latifundiários são os maiores beneficiados com as políticas implantadas. Com isso, o país continua refém de uma elite que há anos controla a economia e consequentemente os trabalhadores. Eles não aceitam perder, nem dividir. E já revelaram, com o golpe, as armas que utilizam.

Com tudo isso, e com muito mais que pode vir pela frente, o futuro do país se desenha bastante incerto. Dentro desse quadro, o acordo bianual que a categoria bancária fechou no ano passado foi, sem dúvida, uma estratégia acertada. Conseguir manter as cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho por no mínimo dois anos, em uma conjuntura em que temos nossos direitos usurpados, por si só, já é algo a ser comemorado.

Além disso, garantimos a reposição da inflação e mais 1% de ganho real em um cenário em que a prioridade dos banqueiros é demitir, terceirizar e não negociar aumento salarial.

Várias categorias que tiveram negociação salarial no primeiro semestre deste ano não conseguiram nem ao menos a reposição da inflação. As poucas que foram além desse patamar conquistaram, no máximo, ganho real de 0,4%. Por mais que algumas pessoas resistam a admitir, nosso acordo bianual foi sim satisfatório dentro das circunstâncias em que vivemos. Não podemos nos enganar e achar que conseguiríamos uma negociação melhor com os banqueiros nesse momento em que o governo impõe suas reformas liberando os patrões para negociar como e quando quiserem.

O acordo 2016/2018 fortaleceu a categoria e manteve a unidade nacional entre os bancos públicos e os bancos privados. Apresentamos e negociamos nossas reivindicações em uma mesa única. Somos a única categoria de trabalhadores que dispõe de acordo nacional. De norte a sul do país, as bancárias e bancários possuem os mesmos direitos.

Nossa campanha este ano será por preservação dos empregos, manutenção dos nossos direitos e defesa dos bancos públicos. Temos consciência de que não será mais fácil do que nos anos anteriores. Precisamos manter nossa unidade e mostrar capacidade e força para garantirmos os nossos postos de trabalho. Só a luta nos garante!

 

* Adriana Nalesso é funcionária do Itaú, economista e presidenta do Sindicato dos Bancários Rio de Janeiro